ANTÔNIO MUNIZ DE SOUSA

Antônio Muniz de Sousa, natural de São Sebastião, bacharel em Direito em 1879, logo se transferiu para Amparo, onde foi abolicionista e republicano. Promotor Público e Vereador em Amparo no quatriênio 1883/1887, foi eleito vice-presidente da Câmara em 7/1/1884. (EFA,40, 131, 210 - Atas, 4:162v).
Em 24/1/1883 apresentou um Projeto do Código de Posturas Municipais. (Atas, 4:111). E em 26/4/1883 o Dr. Muniz de Sousa apresentou a sugestão de se alugar a casa do Capitão Miranda para sediar as sessões da câmara. Muniz de Sousa pretendia que a nova Cadeia e Casa da Câmara fosse construída no Largo de Santa Cruz, mas foi vencido (Atas, 4:132v). Em 5/6/1884 foi aprovada a indicação do Dr. Muniz de Sousa de que estacionamento dos carros de condução de lenha fosse feito nos largos da Estação, do Pastinho, de São Benedito e de Santa Cruz. (Atas, 4:179)
Foi deputado provincial em 1884/1885 pelo 7.0 distrito (Chronologia Paulistana). Em 6/7/1885 foi eleito membro do Conselho Municipal de Educação (Atas, 5:24), mas foi derrotado na escolha do vice-presidente da Câmara pelo Dr. Francisco Antônio de Araújo.
Em 14/6/1886 Muniz de Sousa recorreu ao Presidente da Província contra decisão da Câmara que aprovara parecer sobre a construção do Mercado (Atas, 5:89v).
Em agosto de 1886 o Presidente da Província mostrou surpresa de que ele continuava assinando atas, apesar de estar de licença desde março. A Câmara informou: “Antônio Muniz de Sousa pediu licença à Câmara pelo prazo de 6 meses para tratar da saúde”, em 10/3/1886. “Obtida a licença nunca fez uso dela, Continuando a comparecer às sessões sempre que lhe convinha”.
“Há 2 meses, mais ou menos, o mesmo vereador retirou-se da cidade com sua família, vendeu parte de seus bens móveis e embarcou outros, entregando a chave da casa em que residia nesta cidade, e que, pelo jornal da terras, despediu-se dos amigos, declarando que ia residir em São Paulo, e de fato continua a anunciar nos jornais da Capital que aí se emprega no Magistério”. Apesar de reiteradas observações feitas a ele, pelo Presidente da Câmara, o vereador Muniz de Sousa continuou a comparecer às sessões. (Atas, 5:103v)
Em 30/6/1887 descobriu-se que o “livro perdido” das obras da Matriz, procurado durante anos, estava com o Dr. Muniz de Sousa. (Atas, 5:171/171v)
Mudou-se para São José do Rio Pardo, onde participou dos incidentes ocorridos em 10 e 11 de agosto de 1889, quando da visita de Francisco Glicério àquela cidade. Foi também Deputado Estadual. Faleceu em São Paulo em 1909. (Áureo de Almeida Camargo, in Rev. de História, 74:482)
Silva Leme informa que o Dr. Antônio Muniz de Sousa, bacharel em Direito, foi casado com Paula Gomide Reichert, filha do médico alemão Dr. Theodoro Reichert, que clinicou muitos anos em São Paulo, e de Paula Reichert. Esta Paula Reichert era tia do Dr. Francisco de Assis Peixoto Gomide, bacharel em Direito, vice-governador do Estado de São Paulo, falecido tragicamente no exercício do cargo de governador, que também foi vereador em Amparo entre 1877 e 1880. (Silva Leme, 5:154/155)