Joaquim Inácio da Silveira, natural de Campo Largo, filho de Inácio Caetano da Silveira e Delfina da Silveira Campos, casou no Amparo em 25/7/1863 com sua parente em 2.0 grau mixto ao 1.0 de consanguinidade Ana Bernardina da Silveira Campos, natural de Amparo, filha de José Manuel Cintra e Constança Miquelina. (CA-5:38v).
Em 3/9/1877 Joaquim Inácio da Silveira, junto com Pedro José Pastana, e Luís de Sousa Leite, foi nomeado pela Câmara para angariar donativos nos bairros do Silvestre e Sujo para o Monumento da Independência do Brasil, a ser construído no Ipiranga. (Atas, 3:336)
Elegeu-se vereador para o quatriênio 1887/1891 na Câmara Municipal de Amparo (Atas, 5:128). Certamente era liberal, porque, além do seu parentesco com os Cintras, houve forte pressão dos edis conservadores para que ele perdesse o mandato de vereador, sob a alegação de que ele havia se mudado para Itapira.
Esse incidente começou com um pedido de licença em
29/9/1887, no qual o vereador Capitão Joaquim Inácio da Silveira, sofrendo de moléstia que o impossibilita “de fazer viagens a cavalo”, pediu licença por seis meses - estranhamente, foi nomeada uma comissão para estudar o pedido, que foi aprovado, mas com dois votos contrários, de Silva Pinto e Mendes do Amaral(Atas, 5:194). Em 3/11/1887 a comissão encarregada do pedido informou que, na verdade, ele vendeu sua fazenda e comprou outra na Penha do Rio do Peixe, mudando-se do município. Por isso o assunto deveria ser resolvido pelo Presidente da Província nos termos do Dec. De 13/8/1881 – Lei Eleitoral. Um pedido de informações ao vigário sobre a mudança do vereador Joaquim Inácio da Silveira resultou na informação do vigário confirmando a mudança. Outra informação do Delegado de Polícia noticiava que Joaquim Inácio da Silveira havia comprado a Fazenda Águas Claras, na Penha do Rio do Peixe. (Atas, 6:10 e 15/16).
A 30/11/1887 o vereador Joaquim Inácio da Silveira se defendeu perante o Presidente da Província da imputação de ter deixado o município e se mudado para a Penha do Rio do Peixe. Alega que a propriedade que lá comprou estava abandonada e que no próprio dia da compra haviam sido incendiadas a casa de máquinas, as tulhas e outras benfeitorias. Por isso, era necessário que lá permanecesse.
(Atas, 6:34)
A 7/12/1887 foi dado um parecer sobre a defesa do vereador Joaquim Inácio da Silveira, no qual a Câmara continua entendendo que ele se mudou para a Penha do Rio do Peixe, e que em caso semelhante, do Dr. Muniz de Sousa, o governo determinou a eleição de um novo vereador para preencher a vaga. (Atas,6:39/41). Em 29/12/1887 houve um protesto contra a presença do vereador Capitão Joaquim Inácio da Silveira na sessão. (atas,6:44). Isso se repetiu em 7/1/1888, quando novo protesto do vereador Comendador Luís Leite foi feito contra a presença do vereador Joaquim Inácio da Silveira.
Mesmo assim, os liberais sustentaram sua candidatura na eleição do Presidente da Câmara, vencida por Joaquim. E na eleição para vice-presidente vencida por Joaquim Mendes do Amaral, com 4 votos, Joaquim Inácio da Silveira obteve novamente 3 votos (Atas, 6:52).
Entretanto, Joaquim Inácio da Silveira ganhou o recurso para se manter no cargo de vereador, como consta da ata do dia 19/1/1888, mas deveria requerer novamente o pedido de licença. (Atas,6:59)
Ele acabou renunciando ao cargo, como se vê das Efemérides Amparenses, 36:6 de janeiro de 1890 - pediu "exoneração do cargo de vereador o Capitão Joaquim Inácio da Silveira, por ter transferido sua residëncia para Panha do Rio do Peixe, onde possui propriedade. Eleitor Paroquial. Faleceria no dia 9/12/1906, aos 60 anos de idade. Praticou numerosos atos de caridade. Um dos maiores benfeitores da Igreja São Benedito". Sua esposa, D. Ana Bernardina, foi a fundadora do Orfanato Divina Providência, hoje Lar Escola Divina Providência, para o qual doou o terreno necessário. (Atas, 7:44v)