JOAQUIM PINTO DE ARAÚJO CINTRA

Joaquim Pinto de Araújo Cintra, futuro Barão de Campinas, foi uma figura paradoxal na política amparense. Chefe inconteste do Partido Liberal em Amparo, dono de grande fortuna, cidadão benemérito que realizou numerosas e importantes obras de beneficiência, inclusive a construção do Hospital Ana Cintra, em conjunto com seu cunhado, o Barão Cintra, jamais participou dos trabalhos da Câmara e ou de outro cargo público.
Candidato a vereador na eleição de 1865, foi derrotado, ficando como suplente. Convocado para assumir a vereança, recusou-se a fazê-lo em 1866. Em 1886, novamente convocado como suplente, escusou-se “por incômodos de saúde” (Atas, 5:66v). Ainda em 1866 escusou-se de tomar posse como suplente de Delegado de Polícia, pedindo ao Presidente da Província que o dispensasse.(Atas, 2:22v e 24v/25)
Apesar disso, foi sempre figura influente nos trabalhos da Câmara, quer como líder do Partido Liberal, quer como parte em assuntos nela discutidos.
Mas participou de numerosas comissões de cidadãos para os mais diversos fins. Assim em 26/11/1866 fez parte da Comissão de Recrutamento no município de Amparo para a Guerra do Paraguai, no bairro dos Silveiras, junto com seu irmão José Manuel Cintra (Atas, 2:28v/29)
Em 14/4/1873 foi incluído entre os suplentes de Vereadores eleitos para o quatrienio 1873/1877, com 8 votos, mas não chegou a ser convocado. (Atas,3:147)
Ao “tratar-se dos preparativos para recepção dos distintos hóspedes Imperiais nesta cidade por todo o mês de Junho”, a Câmara, na sessão de 28/5/1877, deliberou agir em “combinação com os cidadãos Comendador Joaquim Pinto de Araújo Cintra, Comendador Zeferino da Costa Guimarães, Dr. Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda”. (Atas,3:323)
Quando da construção do Monumento da Independência do Brasil no Ipiranga, nas comissões nomeadas para angariar donativos na cidade, nomeadas em 3/9/1877, estava o Comendador Joaquim Pinto de Araújo Cintra, junto com o Capitão Luís Vitorino de Sousa e Silva, Tenente Francisco de Assis Santos Prado, Vigário Antônio José Pinheiro e Capitão José Manuel de Miranda. (Atas, 3:336)
Nesse mesmo ano, em 19/11/1877, foi nomeado para o
Diretório para as obras da Matriz:- Comendador Zeferino da Costa Guimarães - Joaquim Pinto de Araújo Cintra - Dr. Caetano Breton Ferreira Monfort - Capitão José Manuel de Miranda. (Atas, 3:348)
Era membro do Diretório do Lazereto dos variolosos em 1878.
Em 15/4/1878 a Câmara resolveu colocar à disposição dos munícipes dois terrenos para a construção de um “passeio público”, um no fim da Rua do Rosário e outro “em frente à Estação”. Os Comendadores Joaquim Pinto de Araújo Cintra e Zeferino da Costa Guimarães foram nomeados “para obterem o concurso dos Donativos do povo”, escolherem os terrenos e “realizar a obra como julgarem melhor”, sendo expedido ofício nesse sentido aos mesmos. (Atas, 3:360)
Uma das suas últimas tentativas de promover o bem público e o progresso da cidade ocorreu em 23/5/1889, quando uma proposta do Comendador Joaquim Pinto de Araújo Cintra e seu filho Dr. José Pinto do Carmo Cintra para instalar serviços de abastecimento de água, esgotos e iluminação na cidade, foi bloqueada pelos adversários na Câmara. (Atas, 6:326 e 360/361)