Filho do antigo vereador Capitão José Manuel de Miranda e de Maninha Luíza de Miranda. Foi casado com Maria Amélia da Silveira, filha de Ana Franco da Silveira e Antônio José Alves Cordeiro. Vivia num grave dilema político: filho de um dos mais ardentes e prestigiosos líderes liberais e genro de um dos mais influentes chefes conservadores...
Segundo as Efemérides Amparenses, Salvador foi suplente de Juiz Municipal, vereador, suplente de Delegado de Polícia em 1878 (Atas, 3:358), Juiz de Paz e comerciante.
Salvador José de Miranda foi um dos maçons que outorgou procuração em 4/3/1875 ao Conselheiro Joaquim Saldanha Marinho para protestar contra a bula papal que excomungava os maçons. (1º of., 33:162v/164v)
Em 1/7/1878 foi apresentado à Camara requerimento de Salvador José de Mirada, em que pedia licença “para estabelecer no quintal de sua casa, na Rua Direita, esquina, “uma máquina a vapor de beneficiar café”. (Atas, 3:370) Em 26/8/1878 a Câmara consultou dois facultativos que deram o seguinte parecer: “...Não havendo ao redor da residência do suplicante grande aglomeração de casas, e achando-se a dita sua residência em um ponto onde se cruzam facilmente os ventos, havendo o necessário cuidado de remover o resíduo das operações (palha de café) a fim de que não entre em decomposição, colocando uma chaminé de altura suficiente para que o fumo não incomode a vizinhança e igualmente evitando que o pó do café seja levado pela ação dos ventiladores para longe pelas correntes de ar, entendem os abaixo-assinados que não há inconveniência alguma em estabelecer-se nesse ponto a dita máquina, porque não afeta a salubridade pública. (aa) Dr. Caetano Breton Ferreira Monforte e Dr. Joaquim José da Silva Pinto Júnior. (Atas, 3:379)
Elegeu-se vereador para o quatriênio 1881/1885, que foi interrompido em 1883. Não tomou posse em 17/1/1881 por estar doente (Atas, 4:48). A 21/2/1881 Salvador José de Miranda, ainda doente, falta à sessão. (Atas, 4:54) Só em 6/6/1881 foi empossado finalmente o vereador Salvador José de Miranda. (Atas, 4:61v)
Esteve doente e ausente de muitas das sessões da câmara em 1881. Esteva fora do município, tratando da saúde. (Atas, 4:49 e 54). Só em 3/7/1882 ele voltou a comparecer às sessões da Câmara. (Atas, 4:92)
Em janeiro de 1884 estava como Delegado de Polícia em exercício. (Atas, 4:163v)
Em junho desse ano estava se processando o alinhamento de terreno de Salvador José de Miranda “no seguimento da rua Itororó, além da Rua Boa Vista” (hoje esquina da Rua Capitão Miranda com a Rua Oswaldo Cruz). Houve necessidade de alterar a diretriz da rua “porque esta vai estreitando a quadra até mais adiante entroncar-se-á com a rua do Imperador, que é paralela”. (Atas, 4:177)
Salvador José de Miranda foi reeleito vereador e empossado em 7/1/1887. (Atas, 5:128)
Mesmo a sua condição de vereador não lhe evitou aborrecimentos na questão do alinhamento de seus terrenos, que acabaram cortados pela área reservada ao futuro prolongamento da Rua Boa Vista, ficando com um perigoso desnível. (Atas, 5:143v, 151)
A 12/5/1887 Salvador José de Miranda avisou a Câmara que estava se retirando por seis meses para a Europa por motivo de saúde e pediu licença (Atas, 5:163/164v).
De volta da Europa, em 29/11/1888, apresentou proposta dando o nome de Dr. Francisco Antônio de Araújo ao Largo do Mercado. A proposta foi aprovada, mas Silva Pinto votou contra. (Atas, 6:218)
Em 27/12/1888 outra indicação de Salvador José de Miranda, pedir ao Presidente da Província autorização “para demolir a Igreja do Rosário por se achar em ruínas”, provocou polêmica; deveria ser oficiado também ao Bispo Diocesano e os materiais de demolição seriam aproveitados na Igreja de São Benedito; a indicação foi rejeitada. (Atas, 6:231)
Em 8/8/1889, numa das últimas sessões da Câmara no Império, surgiu uma questão delicada. Antônio de Paiva Vidual era genro de Salvador José de Miranda e proprietário no Largo da Estação. A Mogiana pediu a supressão do trecho de “rua nova entre os trilhos da Mogiana e a rua do Comendador Guimarães”, comprometendo-se a abrir outra ligação com a Estação. a Câmara mandou o assunto à Comissão de Obras Públicas. Houve forte debate porque a proposta da Mogiana afetava diretamente propriedades de Antônio de Paiva Vidual e assim o parecer de Salvador Miranda era suspeito. Depois de várias votações a proposta da Mogiana foi recusada. (Atas, 6: 382)
Em 6/12/1890, já na República, surgiram finalmente problemas com a palha de café; Salvador José de Miranda recusou-se a obedecer ordem da Câmara para remover a palha para fora da cidade – em vez disso cobriu a palha com terra. O Fiscal pediu providências e o assunto acabou solucionado. (Atas, 7:117)
Em 19/8/1892 novos problemas surgiram. Salvador José de Miranda declarou que, tendo recebido intimação para fechar terreno no Largo Municipal, ponderava que esse terreno já estava completamente fechado; alegou que a Intendência arruinou completamente tais terrenos e pediu indenização, como foi feito nos casos do Dr. José Ferraz de Oliveira e João Modesto da Cunha Franco. Alegou ainda que seus terrenos não são depósitos de lixo, mas apenas o Dr. José Felipe de Toledo deitou ali uma carroçada de lixo. (Atas, 8:102v/103)
Esse combativo político amparense ainda divulgou em 1902 um novo tratamento para febre tifóide com uso de enxofre, mostrando a sua diversidade de intereses. Morreu em 3/9/1923 aos 73 anos. (EFA, 202)